Apesar de meus pais sempre terem sido religiosos, na minha infância e até hoje, nunca tive o costume voluntário de rezar ou orar, pois sempre fui de conversar com Deus como se ele fosse um amigo imaginário que estivesse ao meu lado em todos os momentos. Dos mais alegres aos mais tristes. Diante de tudo o que está escrito em um conjunto de livros chamado "bíblia" acabei sendo forçada junto com meus irmãos a ir à missa assiduamente aos domingos até que chegou um momento em que predominou a minha vontade e eu não fui mais obrigada a ir. Não posso dizer que odiava, mas o que eu nunca gostei foi de como éramos abordados para irmos a um lugar onde a maioria das pessoas eram avarentas, ranzinzas, antiquadas e orgulhosas. Cheias de si elas desfilavam nos corredores da igreja como em uma passarela da moda. Com maquiagens extravagantes destilavam olhares venenosos aos simples daquele recinto. Em suma, me sentia mais em paz quando a igreja estava vazia e eu, enfim, podia ser eu mesma, pois não tinha ninguém me olhando ou me julgando.
Hoje tudo que eu faço é bem íntimo porque não preciso gritar minha fé aos quatro ventos. Isso, pra mim, é hipocrisia. Rezo, oro, converso com o universo, com as estrelas, com o mar e sei que em todos esses lugares existe algo maior e de muito especial observando.
A vida é tão breve para se preocupar com tão pouco. Podemos orar em pensamento só ouvindo uma canção.
Espero que o universo ouça a oração que tenho feito todos os dias.
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